Amigos, Viagens e Trilhas em
Agosto de 2013
Féria do grupo no Jalapão
O que se passa em sua cabeça a respeito do Tocantins?
Um lugar seco, quente, árido, sem água, com uma planície que lembra o sertão nordestino? Essa é a ideia que passa na cabeça de quase todo mundo que não conhece o estado, e é exatamente o que nosso grupo pensava sobre o Tocantins, antes de realizarmos essa última aventura.
Antes da Viagem
Após algumas dezenas de viagens e trilhas de final de semana, nós do grupo “Amigos, Viagens e Trilhas”, decidimos dar um passo mais largo e combinamos todos em tirar férias coletivas no mesmo mês e sairmos em viagem com o mesmo destino, entre os integrantes do grupo, oito de nós conseguimos marcar as férias e sair rumo ao desconhecido. O roteiro escolhido foi o Jalapão, uma reserva nacional criada à apenas 13 anos, localizada ao leste do estado do Tocantins, desconhecida pela maioria dos brasileiros, até mesmo por aqueles acostumados a viajar pelo país, e mesmo muitos agentes de viagem, o que tornou nossa viagem uma incógnita e ainda mais emocionante, pois não sabíamos o que nos esperar até chegarmos lá.
Os integrantes da viagem
Patrícia
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Julieta
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Alex - O sonho de valsa
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Diógenes - O Ouro Branco
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Katherine da Tasmânia
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Jota - O dorminhoco
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Marcelo O amigo das Mutucas
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Primeiro dia de viagem
| No Aeroporto a caminho do Tocantins |
Após o reencontro da turma no aeroporto, muita expectativa, conversas animadas e até mesmo planos para as próximas viagens, mesmo antes de realizarmos esta. Este é o lado bom de fazermos parte de um ciclo de amizades de pessoas do nosso universo, com o mesmo gosto, desprendimento, espírito de aventura e amizade. Esse é o espírito que move o grupo “Amigos, Viagens e Trilhas" a continuar realizando passeios, viagens, trilhas e encontros, o objetivo de aproximar pessoas, unindo experiências, desejos, aventuras, amizades e sonhos, todos com o mesmo objetivo.
Com esse objetivo, desembarcamos aos quase 40º de Palmas, uma cidade bonita, plana, bem planejada e, sobretudo quente. Num final de tarde abafado, saímos todos para uma das praças da cidade, onde todo domingo há uma feira de artesanatos e culinária local, com bolos, pastéis, tortas, sopas e os deliciosos empadões goiano e tocantinense, típicos do estado. Uma noite longa de conversas e expectativas para os próximos dias, e uma boa impressão que Palmas nos deixou naquela noite agradável.
Rumo ao Jalapão
O
segundo dia da viagem começou cedo, todos de pé com as mochilas nas costas
prontos para a viagem. Já fomos muito recebidos por nossos dois
guias e companheiros de viagem, que fariam parte de todo nosso passeio e
testemunhas das loucuras que aconteceriam durante os dias. Alex e Arilon, duas
pessoas incríveis, profissionais de extrema competência e simpatia, que
enriqueceram muito nossa experiência no Jalapão, e se tornaram mais que nossos
guias, mas também nossos amigos.
Seguimos
em dois carros 4x4 rumo à cidade de Ponte Alta do Tocantins, cidade portal do
Jalapão. Ai já vai uma dica importante, é impossível fazer essa viagem num carro
esportivo, à única opção é em carros 4x4.
| Todos prontos, rumo ao Jalapão |
No caminho até Ponte Alta, fizemos uma parada em Taquarussu, cidade com mais de 80 cachoeiras catalogadas, só nessa cidade é possível fazer um tour de um dia pelas cachoeiras. Conhecemos duas delas, as cachoeiras da Roncadeira e Escorrega Macaco, duas belíssimas quedas d’água ótimas para banho, uma delas com cerca de 70 metros , excelente para a pratica do cascading (Prática de rapel em cachoeira). A vontade de descer o cascading era grande, mas a água extremamente gelada inibiu nossos ânimos e acabamos desistindo, felizmente na volta passamos por lá novamente, dessa vez, a água gelada não foi empecilho. No caminho até as cachoeiras, há uma belíssima trilha de aproximadamente 3 KM’s ida e volta, onde é comum cruzar com famílias numerosas de macaquinhos. A trilha é tranquila o problema são os mais de 240 degraus logo no início, pra descer é uma maravilha, mas a volta!!!
Além da trilha e das cachoeiras, há também outro grande motivo pra se fazer essa parada. A tapioca preparada na hora logo na tenda de entrada, a melhor tapioca que já comemos na vida, isso foi quase um consenso.
| Início da trilha, descendo as centenas de degraus rumo as cachoeiras |
| Cachoeira Escorrega Macaco |
| Marcelo se refrescando na Cachoeira da Roncadeira |
Chegando em Ponte Alta , ficamos
hospedados na pousada Vereda das Águas, excelente opção de hospedagem na
cidade, bonita e confortável, com um ótimo café da manhã, além da simpatia do
Seu Arilon e sua Família, que administram a pousada. Ponte Alta é um
pouco mais estruturada que as demais cidade que fazem parte do Jalapão, com boas
opções de restaurantes e sorveteiras.
Ao longo da viagem, vamos conhecendo e descobrindo algumas característica de cada um, e logo no primeiro almoço descobrimos o lado pedreiro da Katherine, pelo menos na hora de comer, o terror de todo restaurante Self Service.
Essa ai, por trás da montanha de comida é a Katherine da Tasmânia, com seu prato de entrada.
Já nesse dia começamos a descobrir as riquezas naturais do Jalapão, e a nos surpreender com a quantidade de água por toda sua planície, através de suas dezenas e centenas de rios, cachoeiras e nascentes. Um lugar muito interessante que conhecemos nesse dia foi a cachoeira e o cânion de Sussuapara. No cânion, vemos claramente a riqueza aquática do Jalapão, uma fenda que deve ter cerca de
Imagens no Cânion Sussuapara
| Encontramos até uma cobra lá. |
O interessante é que na parte de cima da fenda, a borda é totalmente seca, a medida que vai se
aprofundando o solo fica mais úmido, até ficar encharcado nas partes mais
baixas, é irresistível não ficar com a boca aberta debaixo das raízes que gotejam água potável. Diz a lenda, que quem bebe dessa água, rejuvenesce 10 anos.
Alguns
metros acima, há uma pequena piscina também de água potável da cachoeira de Sussuapara Água quente e muito gostosa, ótima para sentar e tomar um belo
banho é quase uma banheira gigante.
Passamos o fim de tarde já em Ponte Alta , muito
bonito ver o Pôr do Sol da cidade, uma bela vista em frente a pousada, ou da
ponte da estrada principal, as cores tomam conta do Céu, embelezando ainda mais
a paisagem.
No dia seguinte fomos conhecer as mais belas
cachoeiras do Jalapão. Saímos com destino da estonteante Cachoeira do Soninho,
passando pelo morro da cruz. Uma formação rochosa de arenito que, mais parece um chapéu
mexicano.
| Morro do Chapéu |
Chegamos à Cachoeira do Soninho e
fomos surpreendidos com a beleza e força da água, de uma das mais belas
cachoeiras da região. Infelizmente, devido à forte correnteza e solo irregular não é um lugar
propício para banho, mas um lugar fantástico para sentar e meditar, e fazer uma
excelente sessão de fotos.
| Momentos de contemplação na Cachoeira do Soninho |
De lá, partimos para outro ponto do Rio Soninho, local excelente para banho, de águas mornas e tranquilas com pontos rasos e outros um pouco mais fundos, onde até os mais medrosos entraram na água. Foi ai que fomos apresentados às famosas mutucas.
| Mais um lugar em que ninguém resistiu, e todos pularam na água |
As temidas Mutucas
As mutucas, são habitantes locais que
não perdem a oportunidade de picar os turistas e sugar um pouco do seu sangue,
são de tamanho significativo e suas picadas bem doloridas, deixando marcas na
pele. O local preferido para suas picadas é na cabeça do Marcelo, naquela
região bem no alto da cabeça onde o cabelo não nasce mais.
Após algumas dezenas de picadas, fomos conhecer a cachoeira mais bonita de toda a viagem, a Cachoeira da Fumaça. Primeiro fomos conhecer a parte de cima, onde há outras quedas d’água menores, e uma ótima bacia de água cristalina onde há pontos que se pode tomar banho tranquilamente, e interagindo com os peixes.
Seguindo mais a frente no rio, se
apresenta com toda sua suntuosidade e beleza, a Cachoeira da Fumaça, com um
volume de água impressionante e uma queda d'água maravilhosa. Aos poucos vamos chegando perto, mas escondida atrás de uma alta vegetação, nós não a vemos, só ouvimos o barulho da queda d'água a uma altura que impressiona. Ao chegarmos bem próximo, em um penhasco com vista panorâmica a reação geral é a mesma. "Nooossaaaaa!!!". Arranca suspiros e exclamações de todos.
Por trás da cachoeira há um vão, onde é
possível percorrer toda a extensão indo por trás de uma cortina d'água que nos faz esquecer que fazemos parte do mundo, difícil pensar em qualquer coisa, a mente se esvazia e só é possível admirar e sentir toda a energia de estar envolto numa força da natureza que impressiona até as mentes mais incrédulas. Entrar debaixo é impossível,
não há quem suporte tanta pressão. A queda da água é tão forte que quando se fica parado de frente para ela, você
tem a sensação de estar pulando de um pára-quedas, devido a pressão do vento,
mal dá pra respirar de tão forte que o vento e a água sopram em sua direção.
A água que cai da borda interna da cachoeira, mal
consegue cair. Com a pressão do vento, a água começa a cair e volta pra cima
para depois ser jogada para as laterais, você olha pra cima e vê aquela cena
bela e interessante, parecendo estar chovendo pra cima.
Na frente dela, há alguns lugares onde é possível
ficar parado bem próximo, e sentir toda a pressão do vento e da água, uma
massagem ao corpo, mente e espírito, mas o maior espetáculo é mesmo por trás.
Mas, essa experiência só pode ser vivida por três
de nós, Diógenes, Marcelo e Katherine, os outros preferiram ficar na parte
tranquila na parte de cima e, perderam essa experiência única. Sem dúvidas a
experiência mais emocionante que já tivemos. Só por essa cachoeira já valeu a
viagem.
Infelizmente, a bateria da máquina a prova d'água do Marcelo acabou logo ao entrarmos debaixo da cachoeira, essa foi a única e última antes da bateria acabar.
Mas o dia ainda não acabou por ai, no
fim de tarde, ainda fomos à pedra furada apreciar o Pôr do Sol. Lugar maravilhoso,
e uma paisagem de horizonte surreal, onde também podemos ver as dezenas de aves
voltando aos pares aos seus ninhos na rocha. Maritacas, Araras, Papagaios e
diversas outras aves que cruzavam o céu.
Um fim de tarde maravilhoso, sobre a
Rocha da pedra Furada, contemplamos o espetáculo do pôr do sol, num horizonte
infinito e plano se colorindo em cores vivas e fortes, e ver o sol caindo a
cada segundo, até ir desaparecendo, e as cores se metamorfoseando de tons em
laranja e vermelho para um azul cada vez mais escuro até se formar em um negro.
E assim terminou mais um dia incrível
repleto de belas visões e experiência únicas.
Rumo a Mateiros.
Partimos de
Ponte Alta rumo a Mateiros, as estradas começam a piorar, as estradas de terra batida, vão dando lugar a estradas com dunas
de areia, tornando o risco de atolamento mais
evidente, mas ainda assim, a paisagem continua muito bela.
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Pela janela do carro, a paisagem infinita e deslumbrante, porém ao invés de um horizonte árido de cores em tom marrom, uma vasta planície verde, de vegetação rasteira. Não é raro ver queimadas ao longo do caminho. Interessante saber, o serrado tem um ciclo de vida de 7 anos, após isso, o próprio serrado entra em combustão para se renovar, porém, o ser humano não respeita esse ciclo e acaba causando queimadas antes desse período, e aos poucos o ser humano, vai acabando com mais um paraíso ecológico por falta de consciência.
Mateiros é uma cidade bem pacata, não
há nenhum atrativo turístico na cidade, é apenas um ponto de estadia para quem
faz os passeios do Jalapão, mas há uma sorveteria onde há sorvetes com sabores
de frutos do serrado incrível. Ficamos todos maravilhados com os sabores que
experimentamos lá. Sobretudo os sabores de Buriti e Pequi.
O primeiro destino do dia foi outra
cachoeira de beleza inenarrável, a Cachoeira da Velha, uma mini Foz do Iguaçu.
Um volume enorme de água incrível, uma beleza de encher os olhos. Realmente só
olhando as imagens para descrever.

No caminho há uma bela passarela, com um mirante bem próximo à cachoeira onde a vista é privilegiada é uma visão diferente, normalmente vemos cachoeiras de baixo para cima, essa podemos vê-la de cima para baixo.
Cerca de
| Julieta e Marcelo na Trilha |
Na praia, passamos a tarde nos
divertindo, nadando e conversando. Uma água transparente, aonde os peixinho vem
comer os restos de pele morta nas nossas costas, uma massagem maravilhosa.
Foi lá que descobrimos o descontrole da Katherine em dar risadas, aquelas crises de riso impossível de segurar, “por algum motivo desconhecido” ela desatou a rir, fazendo todo mundo rir com ela. Essas crises de riso ainda iriam render muita diversão ao longo da viagem e até depois dela.
Foi lá que descobrimos o descontrole da Katherine em dar risadas, aquelas crises de riso impossível de segurar, “por algum motivo desconhecido” ela desatou a rir, fazendo todo mundo rir com ela. Essas crises de riso ainda iriam render muita diversão ao longo da viagem e até depois dela.
No fim da tarde, fomos conhecer as Dunas do Jalapão. Um cenário inacreditável, formado por enormes dunas de areia dourada de até
As estradas no caminho das Dunas são muito complicadas, é muito fácil atolar, ou até mesmo tombar o carro nessas estradas de areia, foi o que aconteceu, um dos carros atolou. Tivemos muita sorte em termos uma pessoa forte como o Marcelo para puxar o carro com as mãos até desatolar.
A história do Coelho Voador
Pouco antes de chegarmos às Dunas,
houve um leve problema na suspensão de um dos carros, o que impossibilitou esse
carro chegar até as Dunas, tivemos que fazer esse percurso com um só carro em
duas viagens.
Na volta, enquanto o primeiro grupo
foi levado, o segundo ficou esperando a volta do carro, o sol já havia ido
embora há tempos, a noite chegou rápida, e ficamos sozinhos na noite esperando
a chegada do caro, o tempo já estava completamente escuro, ficamos admirando a
noite estrelada e vendo os morcegos voando próximo a nossas cabeças. Quando o
carro voltou, só a luz do farol iluminava o caminho, na frente do carro, uma
coruja estava parada no meio do caminho, quando o carro se aproximou ela saiu
voando, enquanto isso eu, Diógenes, estava olhando o Céu, a procura de estrelas
cadente, quando olhei pra frente, só vi o vulto da coruja sem reparar o que era. Gritei. “Olha, um
coelho” Nisso todos desataram a rir. – “Onde já se viu, um coelho voador”!. –
“Desde quando já viu coelho voar”? – “O coelho do Diógenes bateu asas e voou”. E
essa história foi motivo de gozação por toda a viagem.
Fervedouros
Na manhã seguinte, saímos para conhecer um lugar único de beleza indescritível. Os Fervedouros, são um pequeno oásis em meio à vegetação fechada, largos poços de água azul transparente, nascentes de rios subterrâneo. A água que brota das areias claras e cria o fenômeno da ressurgência, que o torna o lugar perfeito pra quem não sabe nadar, pois é impossível afundar, nem mesmo o mergulhador mais experiente consegue nadar para o fundo devido à pressão da água soprando para cima. Nos Fervedouros, você vai divertir-se e conhecer a real sensação da leveza, além de uma gostosa massagem nos pé. Ao todo conhecemos três fervedouros, mas há mais de 120 catalogados, mas somente 4 abertos ao público.
| Fervedouro dos Buritis |
| Fervedouro do Alecrim |
Foi nos fervedouros que encontramos uma pescadora nata no grupo, num fervedouro de águas claras e repleta de a peixes, tentamos pescar alguns com as mãos, foi ai que descobrimos o talento da Denisepédia, a pesca. Não parava de pescar nem por um minuto, se ela não devolvesse os peixes em seguida acredito que em 10 ou 20 minutos ela tinha limpado todo o fervedouro. Ficava tão concentrada nos peixes que nem percebia a gente falando dela, realmente, nem aqueles ribeirinhos que pescam peixes com a mão, não são páreo para a Denise.
Povoado Munbuca
O Mumbuca é um povoado formado por
uma maioria de descendentes de escravos, foi lá que surgiu o popular artesanato
em capim dourado. Há a opção de se passar à noite no povoado e ouvir as
histórias dos moradores locais. Nós passamos apenas à tarde, almoçamos uma
comida simples, mas saborosa. Prepararam um frango caipira na hora para nós,
quando eu digo nós, excluo o Alex, que não é muito chegado a frango, e teve que
se contentar com arroz e feijão, mas teve um copo de água para acompanhar.
Na comunidade há uma tenda onde é
possível comprar uma infinidade de artesanatos de Capim Dourado. A população do
Mumbuca não chega a 200 moradores, lá os homens plantam para o consumo da
família, enquanto as mulheres colhem a produção e preparam farinha, além de
atuarem como artesãs, na confecção das artes de Capim Dourado.
Serra do Espírito Santo
Na manhã seguinte, acordamos bem
cedo, às 04:00 h. Rumo a Serra do Espírito Santo, onde fizemos uma trilha em
direção ao cume, para ver o Nascer do Sol. A subida durou cerca de 45
minutos, muito íngreme e pedras soltas no caminho, muito fácil de escorregar, é uma subida intensa, mas há alguns pontos de parada onde se pode parar para descansar e
contemplar a diversas estrelas cadente cruzando o céu negro da serra .
O topo da serra é uma grande área
plana, um lugar ideal para apreciar as paisagens e horizontes do Jalapão. O
calor causado pela árdua subida até o cume logo passa quando chegamos lá em cima e a
brisa forte e gelada corta nosso corpo, os minutos até o sol nascer se multiplicam,
mas a espera sobre o vento frio compensa quando ele dá as caras. A princípio
timidamente, depois o Sol surge com toda sua força mostrando toda a vastidão do
horizonte da serra, num colorido deslumbrante. Nessa hora, não sei se a
aparição do Sol esquenta a temperatura ou se o corpo não percebe o frio diante
de uma visão tão magnifica, no horizonte surge um grande cânion verde, ainda
mais belo com as cores no céu produzidas pelo nascer do Sol.

| Toda a turma reunida no topo da Serra |
Na descida a vista é totalmente
diferente da subida escura e estrelada, a essa hora já podemos ver o outro lado
da serra, totalmente plana, com belas montanhas num horizonte distante. A descida parece ser mais difícil que a subida, causando alguns escorregões, mas
todos sobrevivemos, prontos para mais um dia de passeios.
Voltamos à pousada para um café da manhã reforçado, antes de partir aos próximos passeios e a cidade de São Felix.
Cachoeira do Formiga
Partimos rumo a um dos principais
destinos do Jalapão, a Cachoeira do Formiga, uma pequena queda d`água, cercada
por uma vegetação exuberante de árvores altas, moitas de palmeiras
nativas e samambaias. Mas a melhor parte é a piscina formada ao pé da cachoeira, de uma água
totalmente cristalina cor verde-esmeralda, com águas borbulhantes e fundo de areia branca. Impossível resistir a um mergulho ao
ver esse lugar. De longe, o melhor banho que tomamos entre todos os rios, cachoeiras e fervedouros que conhecemos durante a viagem. Um lugar que não vai sair nunca da memória.
Dessa vez ninguém ousou resistir,
todos pularam na água. Nunca havia mergulhado numa água tão límpida, mergulhar,
abrir os olhos e ver tudo em volta, de um lado a outro do rio, com uma clareza
impressionante.
Claro que as mutucas também não
resistiram, pularam na água com a gente, e invariavelmente descansavam na
cabeça do Marcelo, mas dessa vez revezaram com Alex, a única opção foi ficar na
cachoeira de boné.
Ainda tivemos tempo de ir a outro
Fervedouro, de uma deliciosa água morna, onde, inspirado pela Denise, tentei usar meus dotes de
pescador tentando pescar alguns peixes com a mão, mas não consegui. Fato que
causou nova crise de riso na Katherine ao ver a cena.
Rumo a São Felix
São Félix é outra cidade tão pacata
quanto Mateiros, mas achei um pouco mais atraente, com duas belas pracinhas. Vimos o belo por do sol da cidade a beira da estrada, comemos uma ótima pizza
numa das praças e já no anoitecer ficamos observando o belo céu estrelado, onde
podemos ver algumas constelações, e ainda pudemos sentar a frente da pousada debaixo da árvore pra jogar conversa fora, coisa que não se faz mais em São Paulo a décadas.
Rafting no Rio Soninho
O motivo da estadia em São Félix foi descer o
Rio Soninho de rafting, e foi uma ótima escolha, todo ano o grupo desce as
corredeiras do Rio do Peixe em Socorro de rafting, onde as corredeiras são
fortes e violentas, dessa vez tivemos a oportunidade de fazer um rafting
contemplativo, quatro horas de descidas numa paisagem realmente incrível.
- “Nós não levamos água no bote. Se está
com sede, abaixa a cabeça e beba água do rio”.
Foram essas as palavras de nosso
instrutor, já imaginou fazer rafting em um rio de água potável? Pois o Jalapão
é um dos únicos lugares do mundo onde isso ainda é possível.
A correnteza leve permite saltar do
bote em diversos pontos do rio e nadar nas águas limpas e mornas do Rio Soninho,
diferente dos rios comuns de prática do rafting. Porém, há algumas corredeiras
de nível mais difícil, o que vez ou outra traz a tona aquela adrenalina do
rafting.
Em um ponto do rio, há uma queda d’água onde se pode fazer o famoso surfe. Ponto de refluxo da queda d’água onde ao mesmo tempo que a pressão da água empurra o bote, uma outra corrente de refluxo puxa o bote de volta, fazendo o girar, algo similar ao refluxo da corrente de água no mar. Claro que é uma prática bem segura, não é em qualquer queda d´água se pode fazer isso, e os instrutores sabem bem como levar o bote até lá e traze-lo de volta.
O s quatro corajosos que decidiram
fazer o surfe foram Diógenes, Marcelo, Alex e Katherine.
A sensação é incrível, sentir a força da água empurrando o bote com toda força e ao mesmo tempo puxando o bote pra baixo, e aquele turbilhão de água caindo na sua cabeça e o bote cheio de água. Quando de repente, senti que o bote iria virar, instintivamente, impulsionei o peso do meu corpo na direção contrária, nesse momento o bote volta com toda força e bate na pedra, nesse ponto foi impossível me segurar e fui rapidamente engolido pela correnteza do refluxo. Me senti como se estivesse dentro de uma máquina de lavar, girando, sendo puxado e empurrado ao mesmo tempo, apesar de estar num lugar não muito fundo, impulsionei os pés para me jogar para a superfície, mas não encontrei o chão, mas nem precisou, uma forte corrente bateu em minhas costas me empurrando para frente. Quando dei conta, já estava com a cabeça fora d’água, uns dois ou três metros a frente do bote. Por incrível que parece, não engoli sequer uma gota d’água. Me mantive tranqüilo todo o tempo e isso sem dúvidas ajudou bastante. Apesar de sentir bater a cabeça e o corpo nas pedras, não sofri nenhum arranhão devido a proteção do capacete e do colete. Foi uma experiência incrível apesar do susto.
Dentro da máquina de lavar
A sensação é incrível, sentir a força da água empurrando o bote com toda força e ao mesmo tempo puxando o bote pra baixo, e aquele turbilhão de água caindo na sua cabeça e o bote cheio de água. Quando de repente, senti que o bote iria virar, instintivamente, impulsionei o peso do meu corpo na direção contrária, nesse momento o bote volta com toda força e bate na pedra, nesse ponto foi impossível me segurar e fui rapidamente engolido pela correnteza do refluxo. Me senti como se estivesse dentro de uma máquina de lavar, girando, sendo puxado e empurrado ao mesmo tempo, apesar de estar num lugar não muito fundo, impulsionei os pés para me jogar para a superfície, mas não encontrei o chão, mas nem precisou, uma forte corrente bateu em minhas costas me empurrando para frente. Quando dei conta, já estava com a cabeça fora d’água, uns dois ou três metros a frente do bote. Por incrível que parece, não engoli sequer uma gota d’água. Me mantive tranqüilo todo o tempo e isso sem dúvidas ajudou bastante. Apesar de sentir bater a cabeça e o corpo nas pedras, não sofri nenhum arranhão devido a proteção do capacete e do colete. Foi uma experiência incrível apesar do susto.
Foi tudo muito perfeito, mas após quatro
horas de diferentes emoções, chegamos numa pequena praia e, um almoço divino
esperava por nós na casa do proprietário de uma pequena fazenda as margens do
rio.
Após o almoço ainda tivemos um
tempinho para apreciar um cachoeira dentro da propriedade, a única cachoeira de
água fria do Jalapão que presenciamos. Até então só a cachoeira da roncadeira
ainda em Taquarussu próximo a Palmas. Dessa vez, fui o único que entrou na água, mas não demoramos muito e já partimos de volta a Ponte Alta, a viagem pelo
Jalapão já estava no fim.
Serra da catedral
No caminho de volta, ainda passamos
pela Serra da Catedral, uma formação rochosa formada de arenito, que ao longo
dos séculos a natureza esculpiu num formato de catedral. Uma visão realmente
muito bela.
De volta a Ponte Alta
Ainda não havíamos saído do Jalapão,
mas o gostinho de saudade já estava apertando o coração. No último dia ainda
tivemos tempo de irmos a uma praia, cerca de 50 Km’s de Ponte Alta. Era
domingo, dia dos pais, e a praia estava cheia, muitas barracas de acampamento
armadas, uma turma grande estava passando o fim de semana por lá. Muita gente,
alguma sujeira, e música alta poluindo o som ambiente, fora isso, o visual compensava
tudo. Com uma bela praia de água doce, areia quente, churrasco preparado na
hora e a companhia dos amigos, não tinha do que reclamar, ainda mais porque em
toda a viagem foi o único destino que disputamos espaço com outras pessoas. Foi
uma ótima tarde para nos despedirmos do Jalapão.



De volta a Palmas
Antes de chegarmos a Palmas, não
tínhamos como ir embora sem descer a Cachoeira da Roncadeira pelo Rapel,
voltamos a Taquarussu para a nova e última aventura, refizemos novamente a
trilha, mas os macaquinhos estavam tímidos dessa vez e resolveram não
aparecer aos montes como antes. No cascading foram apenas três os corajosos a enfrentar os
70 metros
de rapel na água gelada. Diógenes, Marcelo e Katherine, e nossa cinegrafista
Julieta nos acompanhou para fotografar e filmar nossa aventura. Felizmente
dessa vez a água não estava tão estupidamente gelada quando da primeira
passagem, a temperatura estava 19 graus. Antes da descida emocionante, ainda
há uma subida a pé, muito mais difícil que eu imaginava, chegamos cansados e
suados, a essa hora, a água gelada não seria um castigo, mas sim um alívio.
Após a preparação e o breve
treinamento, o corpo já voltou a temperatura normal e a expectativa da água
gelada já passou a aterrorizar um pouco.
A descida foi bem mais tranquila do
que imaginava, a altura não foi nenhum pouco assustadora, o que assusta mais é
a expectativa. Talvez a adrenalina e a emoção camuflem as sensações do corpo,
assim como na Serra do Espírito Santo, quando o Sol apareceu mostrando a beleza
do horizonte a sensação do vento frio era imperceptível, da mesma forma, a água
gelada da cachoeira mal foi sentida durante a descida, ao contrário, nos
esforçávamos para jogar o corpo pra debaixo da queda d’água, e sentirmos a
força da água massageando o nosso corpo.
Não podíamos ir embora sem passar por mais essas emoções, após mais essa interação com a natureza, voltamos a base saborear novamente as deliciosas tapiocas. Depois disso, Palmas.
| Descida da Katherine |
| Descida do Marcelo |
| Descida do Diógenes |
Não podíamos ir embora sem passar por mais essas emoções, após mais essa interação com a natureza, voltamos a base saborear novamente as deliciosas tapiocas. Depois disso, Palmas.
Bike tour
Chegamos a Palmas no início da tarde,
teríamos todo o resto do dia, mais o dia seguinte até por voltas das 15:00 h
livre. O que fazer para ocupar todo esse tempo. Nosso guia Alex, já havia nos preparado um fim de tarde de pedalada pela capital tocantinense. Partimos em comboio para uma pedalada muito agradável, dessa vez, somente a Denise ficou de fora, pois não sabe, ainda, andar de bicicleta, mas não por muito tempo, já estamos resolvendo isso para as próximas semanas.
Seguimos em direção à Praia da Graciosa apreciar o Pôr do Sol, não demoramos muito e chegamos a tempo para contemplar um novo espetáculo da natureza, tão belo quanto aos outros crepúsculos que vimos no Jalapão, porém, ao invés da bela paisagem do serrado, a cidade de Palmas como cenário, mas que não ficou nada atrás em beleza da paisagem natural do Jalapão.
Após o Pôr do Sol, continuamos o passeio pela cidade em direção a Praça dos Girassóis, nada menos que a segunda maior praça pública do mundo, que concentra as sedes dos três poderes públicos estaduais, além de outros diversos prédios de órgãos estaduais, e uma série de belos monumentos espalhados no entorno da praça.
Ao todo, pedalamos cerca de de quatro horas, foram cerca de 30 KM's percorridos. Fechamos a noite no Gica Burguer's, lanchonete do nosso guia Alex, chegamos quase todos exaustos e famintos, prontos para matar a fome.
Giga Burguer's
O Giga Burguer's é uma lanchonete num formato muito criativo, os lanches levam nome de carros e o cliente só paga o que consome, se não gosta de algum ingrediente do lanche, pode tirar e o valor do ingrediente não consumido não é cobrado. Mas o melhor foi o creme, um tipo de suco de frutas ao leite extremamente cremoso, dá até pra tomar com colher.
Eu comi uma BMW e ganhei um Fiat 47 de brinde.
Depois disso voltamos ao hotel, dormir a última noite longe de casa, a última noite de uma viagem mágica. A viagem estava no fim, mas ainda teríamos a manhã e a tarde seguinte para nos surpreendermos com o Tocantins.
Último dia de viagem
Acordamos despreocupados com horário, tomamos café da manhã e, ainda com energia, partimos para os últimos momentos de aventuras, as belezas naturais do Jalapão, já tinham ficado para trás, mas a capital também tinham muitos coisas boas a nos oferecer.
Pela primeira e única vez em toda viagem, a turma se dividiu. Homens e mulheres escolheram atividades diferentes. As mulheres fizeram um City Tour pelas belas praias da cidade, os homens escolheram ter uma manhã livre, passear pela cidade sem um roteiro definido, com exceção do Jota, que preferiu ficar no hotel, exercendo sua atividade favorita, dormir.
As mulheres tiveram um dia mais divertido, com uma agenda mais cheia.
De volta ao aeroporto
De volta ao hotel, já com o coração apertado pela saudade de um lugar que ainda não tínhamos deixado, arrumamos nossa malas e seguimos para o aeroporto, cansados no corpo, mas revigorados na alma. Chegamos ao mesmo aeroporto que dias antes foi cenário de grandes expectativas, agora era cenário de belas lembranças, e novas experiências e o mais importante, o estreitamento de uma amizade de um grupo de amigos.
Uma última surpresa
O Tocantins ainda nos guardava uma última surpresa antes de voltarmos a nossas casas. Durante todos esses dias fomos presenteados cada dia com um Pôr do Sol deslumbrante nas belas paisagens do Jalapão, ou nas pequenas cidades em seu entorno, ou mesmo na capital, mas ainda teríamos um último Pôr do Sol para apreciarmos, mas dessa vez, através da pequena janela do avião, sem todo aquele cenário natural, mas ainda assim, tão belo quanto, porém esse último Pôr do Sol nos oferecia muito mais que a beleza de suas cores, nos oferecia as lembranças de uma viagem mágica, das experiências, das sensações únicas, das amizades e aquela gostosa sensação de termos realizado a melhor viagem de nossas vidas.
2014 está chegando.
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Texto: Diógenes Araújo
04/09/2013

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Hahahah Diógenes, o seu relato foi o máximo!!
ResponderExcluirAcho que todos ficaram com vontade de vivenciar um pouquinho nossas experiências...
Mas, que ninguem se engane: O JALAPÃO É BRUTO! MAS É LINDO DEMAIS!!!